terça-feira, 18 de novembro de 2008

Curto, porém pesado ...

O post de hoje é curto, porém meio pesado. Talvez por isso tenha também chegado atrasado.

Há cerca de um mês está rolando um rolo meio estranho envolvendo duas gigantes da Forense Computacional mundial. A Guidance, criadora do EnCase, não teve um ano bom e, ao que tudo parece, viu suas ações caírem em queda livre neste ano. A AccessData, que é a mãe do FTK, não deixou por menos e aproveitou para jogar lenha na fogueira: ofereceu para comprar a Guidance, comprando ações dela por U$ 4.50.

Segundo alguns comentaristas, não se sabe ao certo se a estratégia seria genuína ou se a AccessData está jogando a pá de cal. O fato é que a Guidance negou a oferta e, mesmo em meio a uma possível negação da negociação pela lei antitrust americana, o CEO da AccessData nem quis saber e já avisou que vai fazer a oferta direto aos acionistas.

Há quem diga estar rolando um certo veneno na situação, pois o atual CEO já foi executivo da Guidance.

Vamos esperar o melhor para o mercado e ver no que dá esta situação inusitada.

Até o próximo post !

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Resposta atrasada

Ao rever meu camarada Wagner Elias no H2HC, lembrei que ficamos de papear a respeito de um procedimento em alto nível para suspeita de vazamento de dados por comprometimento de um servidor. O tempo estava escasso, muitas viagens acontecendo e o papo acabou não acontecendo.
Ao revê-lo, decidi abordar o assunto neste post aqui.

Basicamente, algumas leis americanas estão requerendo que seja determinada a extensão de um ataque, ao ponto de poder provar que os dados dos clientes não foram comprometidos. Caso a empresa não consiga apresentar provas de que nada foi comprometido, ela está obrigada a reportar a perda publicamente. Outras determinações nesse sentido estão por conta do PCI DSS, um conjunto de requisitos de Segurança de Informações para quem opera com cartões de crédito. Um dos requisitos seria a existência de um procedimento para a equipe de resposta a incidentes que deixasse explícito como agir em caso de suspeita de ataque. O procedimento seria complementar a resposta do incidente, indicando os passos necessários para determinar se houve ou não vazamento de informações privadas, principalmente as info relacionadas a número de cartão de crédito.

Não vou detalhar o procedimento aqui no post, mas a linha seria seguir:

1. Logs de rede relativos a infraestrutura e segurança (logs do firewall, logs dos roteadores, logs de acesso do servidor de dados).

2. Captura de pacotes de rede nas máquinas suspeitas de estarem comprometidas.

3. Imagem da memória das máquinas comprometidas.

4. Imagem forense das máquinas comprometidas.

Os dados dos quatro itens acima, devidamente correlacionados, poderão indicar se houve ou não o comprometimento dos dados. Pelo item 1 é possível verificar aquilo que foi negado ou permitido nas operações, e que podem ter culminado no comprometimento do servidor. Por exemplo, se os dados estão armazenados no servidor de banco de dados, os logs da trilha de auditoria deverão dar indicações do acesso e/ou modificação dos dados.

Como já foi comentado, o servidor com possibilidade de comprometimento não deve ser imediatamente desligado. Antes, deve-se espelhar sua porta no switch para um sniffer que colha informações e pacotes de todas as comunicações para esse servidor. O resultado, geralmente um arquivo pcap, deve ser analisado em busca de palavras chave nos pacotes.

Com o item 3 e 4 conseguimos, a luz de outros procedimentos, definir o que estava na memória e no disco que pudesse implicar ou indicar perda dos dados.

Alguém quer acrescentar algo ?

Até o próximo post !

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Se a moda pega ...

Estava lendo esses dias um artigo no blog do Keith Jones e Brian Dykstra. Não é um artigo muito novo, e comentava sobre um suposto especialista em Forense Computacional ter sido processado nos EUA, após vir a tona que o tal especialista não sacava do riscado tanto assim.
O artigo é uma espécie de alerta, já que muita gente vai pelo que lê no currículo e acaba sendo prejudicada por um trabalho ou assistência mal feitos. Foi o caso em questão, pois ao que parece o tal perito andou incrementando o currículo com lorotas.
O caso do artigo não aconteceria aqui simplesmente porque lá há uma fase do processo chamado cross examination, onde o advogado da outra parte tenta, como parte da estratégia, literalmente acabar com a credibilidade do perito. Foi assim que o tal malandro foi descoberto.
Fiquei lembrando certas situações. Realmente, já estive em casos onde percebi que o profissional não sabia absolutamente nada sobre a parte mais básica de Forense Computacional. Já vi gente procurando informações com DIR, tendo bootando a máquina pelo HD original, que estava sendo guardado lacrado. Vi um cara uma vez dizer que havia um malware provocando certo comportamento, mas como não conseguia provar, disse que o malware estava instalado na placa mãe ...

Comente as histórias que você já viu. Afinal, pérolas são para serem apreciadas ;)

Até o próximo post !

domingo, 9 de novembro de 2008

H2HC - Segundo Dia

Travei uma luta enorme com o travesseiro para chegar lá no horário da primeira palestra, mas perdi feio. Quando cheguei já estava rolando uma discussão interessantíssima sobre a produção nacional em relação a Segurança de Informações.

Capitaneada pelo Ronaldo Vasconcelos, da Security Guys, a palestra terminou e o assunto rolou, nas perguntas, para a turma do projeto Mayhen, que andou distribuindo camisetas irônicas no evento com o nome da turma que já foi "ownada". Alguns exibiam um bottom enorme, parecido com aqueles "Quer emagrecer ? Pergunte-me como" que muitos gordinhos exibem por aí. No bottom, em letras garrafais, estava "I'm not a CISSP". hahahaha. Tive vontade de pendurar meu bottom da ISC2, já que o clima estava para brincadeiras, mas não daria para rivalizar com o deles, que devia ser 5 vezes maior. Na próxima conferência acho que vou fazer um bottom enorme "Yes, I'm CISSP and my bottom is bigger than yours" hahahaha.

Bem, bottoms a parte, o segundo dia prometia. Estava começando muito bem. Júlio Auto sucedeu e não deixou a peteca cair, mostrando Reverse Engineering muito bem. Excelente palestra. o evento estava um pouco atrasado por conta do volume de perguntas na palestra do Ronaldo, mas foi acertado com a ausência do Rafael Silva. Tudo certo, fomos ao almoço e na volta estava o Guto Motta, da CheckPoint, mostrando as vulnerabilidades do sistema GPRS.
Assustador ...

Em seguida, a palestra mais esperada (pelo menos por mim e acho que outros ligados a Informática Forense). Diogo Camargo falou sobre Direito Eletrônico e como a coisa está andando no Brasil. Muito boa palestra, várias perguntas apareceram e, no coffee break, eu tive de zarpar, pois teria de viajar. A palestra que perdi prometia bastante, Wagner Elias, um dos papas da Segurança de Aplicações Web, estava a postos.

No fim das contas, perdi também o resultado do CTF. Vou ver no site do evento depois.

Alguém gostaria de comentar algo sobre o evento ?

Até o próximo post !

sábado, 8 de novembro de 2008

H2HC - Primeiro Dia

O evento começou bem, e com palestras de peso.

Steve Adegbite fez uma excelente apresentação das iniciativas da Microsoft em relação à Segurança nos produtos. A palestra não se prendeu a um produto específico, mas sim a algumas metodologias usadas no grupo que ele faz parte. A partir daí, tivemos duas palestras bastante técnicas, com detalhes, sobre o funcionamento da BIOS, do barramento PCI e como explorar essas características para criar rootkits. A outra, da turma da Immunity, indicava como detonar o esquema do DEP.

Findo o almoço, Rodrigo Costa teve a árdua tarefa de manter a turma acordada depois da churrascaria, feijoada, buchada e o que mais a turma almoçou. Falou sobre Samba (o sistema, não o ritmo musical) e foi sucedido por um hermano muito gente boa, Francisco Amato, que encarou aulas de português e deu conta do recado ao mostrar o seu projeto Evilgrade. Foi a melhor palestra do dia, na minha opinião, e enquanto o ouvia, imaginei que artefatos poderiam ser colhidos nas vítimas desse tipo de ataque. Basicamente, ele desenvolveu uma ferramenta que engana o DNS durante requisições de update (Windows Update, Java, Adobe e outros). No fim das contas, ele envia um conteúdo para ser executado na máquina vítima como se fosse um patch de update. Mais uma palestra sobre Wireless USB e o dia estava terminado.

Nesse interim, algumas peças raras circulavam com dois notebooks, algumas vezes digitando freneticamente. Era o Capture The Flag rolando.

Amanha comento o segundo dia da conferência.

Até o próximo post !

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

H2HC 2008

Estarei a partir desse sábado na H2HC, em Sampa. Quem estiver por lá e quiser papear, é só me procurar.

Vejo a turma de Forense por lá.

Grande abraço e até o próximo post !

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Progresso a passos de cágado

Tenho refletido bastante ultimamente a respeito de determinados assuntos envolvendo Forense Computacional.

Parte dessa preocupação começou após um trabalho e aumentou por conta de alguns artigos que curiosamente falavam de um mesmo assunto: Não estamos acompanhando o ritmo da tecnologia. Pior, não estamos evoluindo juridicamente também.

Crise de Identidade

o meu último post falou sobre ainda não termos um nome, uma identidade. Ao tocar nesse assunto, minha preocupação vai muito mais além de um simples nome. Não que o nome não seja importante, mas essa confusão de nomes que usamos para designar nossa ciência/ofício indica um tanto mais. Indica que ainda estamos em um estágio muito inicial. Percebi também que essa indefinição é menor no setor policial, onde entre os peritos criminais já acontece um consenso maior em relação a isso.

Acontece no mundo todo

A preocupação com o ritmo lento ao qual nos adaptamos à tecnologia está atingindo escala mundial. Basta ver que li recentemente dois artigos e um capítulo de um livro, e todos falavam da mesma preocupação.

Desde que a Informática Forense surgiu (é, vou mesclar nomes até que decidamos qual é o mais aplicável ... ;D), pouca coisa evoluiu em termos de conceitos. O modelo aquisição-preservação-análise-documentação/reporte praticamente continua sendo usado, e por outro lado, a mídia mais nanica hoje seria um HD de 80 Gb. Faça uma breve pesquisa; pergunte aí aos seus amigos quanto cada um tem em casa em termos de HD e você vai ver que esse modelo de aquisição não funciona mais. Nos casos onde ainda é possível, você vai passar horas duplicando um HD e "horas * n" na análise dessa miríade de informações.

Falando em termos de problemas de tempo, imagine como isso é problemático para os nossos colegas policiais, que são relativamente poucos frente a enorme demanda. Alguns comentam que em uma pequena operação 50 micros chegam a ser apreendidos, e se você pensar bem, a maioria das residências hoje tem pelo menos um micro. Neste contexto, ou fazemos algo para melhorar, ou então todos os laboratórios forenses do mundo não serão suficientes para atender a demanda.

Não pense que a vida é tranquila para quem trabalha no mercado corporativo. Discos de vários Terabytes não são mais incomuns, e tudo em arrays dificílimos de remontar. Em alguns casos, além desses enormes discos, você ainda é presenteado com um servidor que não tem interface rápida (USB 1.0 ou 1.1), e nem pensar em desligar o bicho. Todos querem a melhor investigação, definindo o grau de comprometimento dos dados e do servidor, mas ele fica de pé !

O problema não está limitado a tecnologia, mas em nosso caso, alastra-se na seara jurídica. Situações envolvendo tecnologia estão acontecendo com cada vez mais frequência. Não apenas crimes, mas processos cíveis e até mesmo trabalhistas estão demandando perícias e investigações em pendrives, HDs e outras mídias. Infelizmente, apesar do número de casos, ainda há muitos Juízes que não conhecem sobre o assunto, ou conhecem muito pouco. Advogados, idem. Você consegue apontar planejamentos, estudos ou documentações voltadas a resolver isso ? Não tenho conhecimento de nenhum manual de orientação da parte legal, do que seria aceitável ou não envolvendo tarefas em Forense Computacional. Dessa forma, apesar de muitas orientações de como proceder, há uma incerteza sobre os métodos, e isso piora quando estamos nos deparando com problemas como os narrados acima, de mídias enormes.

Questão de Ritmo

A questão é que, seja na parte tecnológica ou legal, os problemas e dificuldades estão crescendo a um ritmo maior do que as respostas que estamos dando. Poucas soluções endereçam tecnologia. Os métodos de Live Acquisition são ainda pouco conhecidos, e por vezes contestados por ainda oferecerem certo risco de alteração nos dados. Há, inclusive, muita discussão sobre isso por aí, onde se afirma que um procedimento bem documentado produz alterações previsíveis e sob controle. No entanto, essas discussões não acontecem levando em conta o sistema jurídico usado no Brasil (são foruns americanos, australianos e ingleses, na maioria).

Tecnologicamente, aconteceu uma grande reviravolta bem recentemente. Uma empresa americana lançou um produto chamado F-Response que consegue mapear fisicamente pela rede um disco em outra máquina. Esse mapeamento é read-only, o que garante a integridade dos dados colhidos. É um grande passo, e está ficando melhor ainda, pois há uma versão Beta que promete fazer aquisição da memória RAM também. Porém, melhorias tecnológicas precisam ser seguidas por melhorias na parte legal. de nada adianta podemos usar ferramentas novas se legalmente elas ainda não são reconhecidas ou tem seus resultados aceitos. Pior, mesmo os métodos não são discutidos como devido. Um exemplo disso foi divulgado em uma lista recentemente, onde um participante disse ter trabalhado em um processo onde um print screen da tela foi aceito como prova, enquanto que todos os advogados indicam fazer a Ata Notarial.

Do que precisamos, afinal ?

Precisamos definitivamente de pensar nos problemas que a tecnologia está apresentando para os métodos atuais. Precisamos repensar neles e definir novos procedimentos que permitam, com segurança e exatidão, mostrar o que está acontecendo sem ter que levar os milhares de Terabytes. Precisamos que estes procedimentos dêem suporte tanto ao trabalho dos policiais, em suas perícias a cerca de crimes, quanto aos que trabalham no mercado corporativo. Precisamos que eles sejam adequadamente divulgados para todos os envolvidos: Juízes, advogados e peritos.

Vamos discutir sobre isso ? Comente, afinal só vamos resolver esse pepino se colocarmos todos os envolvidos para conversar.

Até o próximo post !