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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

PeriBr

Já falei brevemente sobre essa que é a mais nova distro brasileira em Live CD para Forense, comentando sobre alguns detalhes que li sobre a ferramenta. Agora é hora de passar as primeiras impressões, depois de alguns testes.



O boot tem opção de ir direto para o modo texto, o que pode facilitar aos mais avançados (e mais apressados também). Mesmo com a opção de boot pelo modo gráfico, achei a carga bem mais rápida que outras versões por aí.



Ele está baseado no Ubuntu, com kernel 2.6.28-15. O Gnome está na versão 2.26.1 e, como diferencial nessa parte gráfica, há um charmoso menu USP com tradução total para o português tupiniquim, o que vai facilitar muita gente. O teclado veio configurado corretamente para o meu US International. Não tenho aqui o ABNT2 para testar, e esse é o grande problema quando se fala em teclado, pois a maioria tem dificuldades com ele. Ainda assim, a exemplo do que a turma do CAINE implementou, há um atalho no desktop que permite a troca de teclado rapidamente.

O menu do PeriBr me impressionou positivamente. Há praticamente uma entrada para cada utilitário forense instalado. Mesmo se linha de comando, o menu abre uma tela com as options do utilitário, e em algumas vezes, abre também a página man. Além disso, um terminal root fica a disposição para que o comando escolhido seja digitado. A disposição do menu, além de separar por grupo de funcionalidades, também fornece um "tip" indicando o que a ferramenta faz. Isso é fantástico, já que não há Mb de cérebro que resista a quantidade de ferramentas que temos hoje na Computação Forense.



As melhores e mais conhecidas ferramentas estão presentes. Desde os xxxdeep, para hash, até o ssdeep, que nem todos os live cds trazem, temos Ophcrack, Wireshark, Guymager, dc3dd GUI e outros. Há vários utilitários para cada tarefa. Um ou outro está faltando nessa boa lista, incluindo o exiftool e alguma ferramenta para atividade de browser que não o IE. Falando em browser, o Firefox está a todo vapor, turbinando alguns dos melhores pacotes integrados disponíveis em Open Source: o Pyflag. Tudo bem que, para usá-lo bem, o live cd precisará ser instalado, mas isso vem sendo algo comum. Interessante que, na época do Helix baseado em Knoppix, era considerado sacrilégio instalá-lo ... Novos tempos ...

No melhor estilo dos comerciais das organizações Tabajara, podemos ainda dizer "Mas não é só isso !" ... Porque, além do Pyflag, a turma que construiu o PeriBr nos trouxe o PTK, o novíssimo browser/interface para o TSK. É o Icing on the cake ...


Pontos Positivos:

* Ferramentas em abundância;
* Menus em PT-BR;
* Política de montagem de volumes em coerência com as proteções de software forense;
* Pyflag e PTK, mesmo exigindo instalação.


Pontos Negativos:

* Versão 1.0 ... Isso chega a ser um fantasma. Será que o projeto vai romper a barreira e continuar ?
* Falta um site adequado, como no projeto do CAINE ou do DEFT;
* Roadmap divulgado. Isso pode ser um luxo para a versão 1.0, mas já seria uma boa forma de tranquilizar os usuários, dando mostras de que o projeto vai continuar;
* Ausência de suporte a ferramentas Python, ao RegRipper e o Volatility.

Espero que esse novo produto rompa com a barreira do 1.0 e vire um trabalho muito além de um trabalho de fim de curso. Toda a comunidade vai agradecer imensamente !

Comentários ?

Até o próximo post !

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

PeriBr

Tive uma grata surpresa ao ler um dos comentários no Forum Perícia Forense sobre o PeriBr, um live cd desenvolvido como trabalho de final de curso na UCB. Segundo Marcel Carvalho, que também é marido da criadora do PeriBr, Jaqueline Carvalho, o novo live CD possui as seguintes características:

* Estão embutidas ferramentas como PyFlag, PTK , Autopsy, Guymager e Dhash;
* O menu está todo categorizado de acordo com as fases de uma perícia;
* Embutido o menu USP (Ubuntu System Panel), traduzido para o pt_BR;
* Foram criados scripts para cada uma das ferramentas que exibe uma ajuda sobre elas;
* Não monta automaticamente dispositivos, e quando o faz por padrão fica com RO (read-only);

A grata surpresa vem pelos comentários, que transcrevo abaixo:

"Cabe aqui uma menção ao trabalho escrito da monografia em questão, que mostra um grupo de distribuições que foram usadas como base para o trabalho, entre elas o FDTK.
Uma diferença básica, e que está descrita como um problema da versão atual do FDTK, é o toolkit PyFlag que existia em versões anteriores e que na atual versão não está funcionando por problemas de incompatibilidade, outra diferença é o toolkit PTK que encontra-se
instalado no PeriBR e não no FDTK, mais algumas ferramentas da distribuição DEFT que foram incluídas no PeriBR e também não existem no FDTK.

Uma inclusão agradável, na minha opinião, foi o menu USP (ubuntu System Panel), que foi a base do MintMenu para quem conhece. Foi feita uma tradução para o pt-BR desta ferramenta, o que não existia ainda, e ela foi incluída no PeriBR. O MintMenu é muita mais agradável de se
operar, porém ele muda muito o Ubuntu, tentando transformá-lo no LinuxMINT ;)

Porém como disse anteriormente e é citado no trabalho escrito, a distribuição FDTK foi usada como base, além do DEFT, Helix, BackTrack, FCCU e o Caine. Também é feita uma referência elogiosa ao blog do Tony Rodrigues e ao seu trabalho em http://www.slideshare.net/tonyrodrigues/computacaoforense0800tony-rodriguesv1 de onde várias idéias foram tiradas.

A idéia de divisão por etapas da perícia foi baseada no trabalho do Aderbal e Neukamp, criadores do FDTK.

O trabalho de pós-graduação realizou a idéia dada por Tony Rodrigues: "Faça o seu". Ou seja, faça a sua distribuição com as ferramentas que te interessam. O objetivo final era criar uma distribuição com as ferramentas que o perito deseja ter. Mostrar que isso não era uma tarefa impossível, e passar um caminho a ser seguido aos que desejam criar seu próprio
conjunto de ferramentas."

Algo que eu disse e digo já faz algum tempo é que esse blog nasceu para ajudar. Ver que isso está de fato acontecendo, ao ponto de ser usado como referência para uma nova distrô forense e um trabalho de monografia, é mais que gratificante. É sentimento de missão cumprida.

O trabalho que foi referenciado pelo Marcel é uma compilação de vários estudos que fiz e coloquei aqui no blog. Ele acabou virando uma palestra, que inicialmente foi criada em inglês para uma conferência marcada para junho de 2009 em Lisboa, mas acabou não acontecendo. Por fim, eu a utilizei no CNASI do Rio de Janeiro, em março de 2009.

Eu aproveitei para enviar ao Marcel algumas sugestões para a versão 1.1:

1) Coloque o Wine e, a partir disso, vários utilitários Windows interessantes (nem todos funcionam; eu estou com uma idéia de um projeto para isso, seria bastante útil)
- Já falei aqui em um artigo recente de como o Wine pode ser usado com sucesso para permitir o uso de ferramentas Windows em ambientes Linux e, com isso, podermos unificar o conjunto de ferramentas de análise.

2) Compilar o SleuthKit com vários tipos de imagem (formatos) e sistemas de arquivos. O HFS está crescendo em uso e nem todas as ferramentas o compilaram
- A versão mais nova do Helix deu uma melhorada nisso, mas até bem pouco tempo, só se conseguia analisar imagens no formato AFF e Expert Witness no Caine.

3) Voltar com o SAMBA para o pacote. A maioria dos novos Live CDs o retirou.
- É muito útil nas trocas de arquivo via rede. Não é indispensável, mas sem ele ficamos sem uma opção interessante de captura de imagem para locais remotos.

4) Drivers de wireless. Isso vem sendo um problema para notebooks, já que na maioria das vezes nos conectamos via Wi-fi.
- É um grande problema. A maioria não carrega rede wireless.

5) Perl e Python + RegRipper e Volatility com plugins atualizados
- Nesses tempos modernos, Forense de Registry e de Memória são bastante úteis para um investigador.

Vou incluir mais uma que não coloquei no email: Suporte a teclado ABNT2. Quem comprou laptop no Brasil tem sempre um problema para ajustar o teclado ...

O projeto está hospedado no SourceForge. Clique aqui para baixar o arquivo .iso.

Em breve vou postar aqui uma análise do mais novo live cd brasileiro.

Comentários ? Algumas idéias a mais para o projeto ?

Até o próximo post !